sábado, 7 de julho de 2012

Tibet - 2008 - artigo para site RRAUL

http://rraurl.uol.com.br/cena/5104/


Tibete: da omissão aos cadáveres na Internet

Não havia batalhas sangrentas na TV. E a falta de coragem das autoridades estrangeiras desmoralizou a resistência pacífica dos tibetanos
31.03.08 17:15


"Ontem assisti a Sete Anos no Tibete. Não sabia que tinha sido daquele jeito!" Há cerca de um mês, um amigo, debatedor aguerrido sobre questões internacionais, ainda não conhecia a história e a dimensão do conflito entre China e Tibete.

Quando o Partido Comunista assumiu o poder na China em 1949, logo manifestou a intenção de "libertar todos os territórios chineses, incluindo o Tibete". "Libertar" de que? Mao Tsé-tung especificou: "Religião é veneno. Degenera a raça e retarda o progresso do país". A religião era um dos principais elementos a definir o Tibete como nação. Os costumes e os ensinamentos budistas organizavam o calendário oficial e regulavam a ética profissional, as relações familiares e os assuntos nacionais. Monastérios e templos constituíam centros de estudos elevados e armazenavam de obras de arte a trabalhos sobre literatura, medicina, política etc.

Em 1950, o Exército Popular de Libertação invadiu o Tibete pela primeira vez; muitas ações violentas se seguiram. Entre as atrocidades cometidas nos anos seguintes sob a égide da "reforma democrática", houve a destruição e pilhagem de monastérios e conventos (dos mais de 6.000 que havia até 1955, restavam oito na década de 70) e a humilhação, tortura e execução de monges e monjas. A população foi dizimada em um sexto. Milhares buscaram o exílio e muitos se arriscam até hoje em fugas extenuantes pelo Himalaia atrás de liberdade. À violência das armas se seguiu outra estratégia de invasão e ocupação: a colonização.

Há transferência maciça de chineses para a "Região Autônoma (!) do Tibete", com acesso privilegiado ao ensino, empregos e cargos públicos. O IDH dos tibetanos é gritantemente inferior. Por meio da repressão ou ridicularização, suprimem-se os traços culturais tibetanos, a começar da proibição do idioma. Uma nação foi vilipendiada e parte do patrimônio histórico da humanidade foi quase condenada à extinção.

RETICÊNCIAS
A palavra "genocídio", usada pelo dalai-lama, foi empregada em 1960 por uma Comissão de Juristas da ONU para descrever o ocorrido no Tibete. Mas a resistência predominantemente pacífica dos tibetanos manteve a tragédia longe do noticiário. Não havia batalhas sangrentas ou atentados suicidas a mostrar na TV. E influentes autoridades estrangeiras abusaram das reticências ao abordar o problema.

Em 2002, diante do Relatório Anual sobre Direitos Humanos que apontava graves infrações no Tibete, o então secretário de Estado dos EUA, Collin Powell, declarou-se "preocupado" com os repetidos "deslizes", mas recusou-se a aprovar moção de repúdio à China na Comissão de Direitos Humanos da ONU [hoje Conselho de Direitos Humanos]. Essa falta de atenção, solidariedade e coragem da comunidade internacional acabaram por desmoralizar as tentativas de negociação civilizada. O dalai-lama foi perdendo a autoridade junto a jovens tibetanos, que já não suportavam mais a opressão e, cedo ou tarde, se insurgiriam com mais energia. A iminência dos Jogos Olímpicos acendeu a tocha.

Faltavam carros incendiados e cadáveres? Aí estão. Recebi por e-mail fotos de monges mortos a tiros. E as nações ocidentais ainda hesitam em bater o pé. Não podem cortar relações comerciais e não precisam boicotar os Jogos, mas nem sequer admitem o gesto simbólico de faltar à abertura. O show deve continuar!

"Pragmatismo" se consolida como sinônimo de incoerência, hipocrisia e tibieza. E "separatismo" virou sinônimo de beligerância, como se atenuasse a reação violenta da China. Ora, os tibetanos querem o direito à autodeterminação de que desfrutavam meio século atrás. No Ocidente, horroriza-nos a idéia de casamentos arranjados à revelia dos noivos. Sabemos que uniões forçadas tendem a ser insuportáveis, a menos que uma das partes se renda incondicionalmente à outra. É irreal esperar que uma nação aceite tal submissão.

FOTOS
Como imagens falam mais do que palavras (e protestos), veja aqui imagens fortes das vítimas da repressão aos protestos desse mês em Lhasa, capital do Tibete.
Soninha Francine (nm @ soninha.com.br)
Reduza, Reutilize, Recicle!

"Você acredita no Brasil?" - artigo para Revista Brasileiros

Você acredita no Brasil? 
Mas quem é o Brasil?
É o João da Silva Brasil, que sai da cama às quatro da manhã, prepara o café para ele mesmo e para a esposa, caminha até o ponto de ônibus, viaja três horas em pé, trabalha duro o dia todo e dá umas risadas com os amigos, agüenta firme a gozação quando seu time perde, discute ética sem nem saber que está discutindo, que quer um país melhor para ele, para todos os amigos e conhecidos, para os camaradas ainda mais miseráveis que ele?
Ou o Mané Brasil Pereira, que é funcionário fantasma do gabinete de um político em troca de duzentos contos, joga entulho no córrego do bairro porque "feio mesmo é a corrupção desses safados", ouve música bem alto a qualquer hora do dia ou da noite e maltrata o gato do vizinho?
Será o Alexandre Brasil da Rocha Macedo, universitário de boa família que acelera o carro pra cima do pedestre, joga lata de cerveja pela janela, acha que mulher é tudo vagabunda e que é cada um por si, ninguém por todos e que vença o melhor?
Também pode ser o Lucas Brasil, universitário de boa família que troca o descanso no fim-de-semana por um mutirão na periferia, que cria um blog divulgando os lugares onde é possível estacionar sua bicicleta, leva o material reciclável na cooperativa da esquina e adotou um vira-lata.
Enfim, eu acredito no Brasil. No Brasil que fica incomodado com o sofrimento alheio, que se pergunta o que pode fazer a respeito disso, que sacrifica o próprio conforto para oferecer algo para os outros, que toma uma ou várias atitudes pensando no bem coletivo. E, apesar da má-vontade, egoísmo, ganância ou vaidade de uns e outros, tem muito Brasil assim, generoso e consciente, soprando um ânimo na cara da gente.

Chat no Vírgula em 2008 sobre tudo

Soninha

Sonia Francine Gaspar Marmo,
mais conhecida como Soninha, fez magistério e cinema.


Foi produtora, coordenadora de
produção, redatora, diretora e apresentadora na MTV, onde também foi uma das
inventoras do programa Barraco MTV. Na TV Cultura, criou um programa para
jovens e apresentou o programa RG. Por ser bem conhecida na área jovem, recebeu
o nome de Jornalista Amiga da Criança pela Fundação Abrinq. Ela também foi
comentarista de futebol da Globo/CBN de rádio.


Na GNT, fazia parte do programa
Saia Justa. Não pára por aí! Soninha faz parte da equipe de comentaristas e
apresentadores da ESPN-Brasil, tem uma coluna sobre esportes na Folha de São
Paulo e outra coluna na revista Vida Simples. Ela já escreveu o livro Por Que
Sou Budista e Para Ser Jogador De Futebol. Em 2004, Sonia foi eleita pelo PT
como vereadora e em 2007 se filiou ao PPS.

Neste chat o Moderador preserva o texto original da questão enviada pelo internauta.

Iniciaremos o bate-papo em instantes, mas você já pode enviar suas perguntas!
João diz: Oi Soninha, tudo bem??? Por que você quis entrar no mundo da
política? O que te chama atenção nesse meio?

Eu sempre pensei em entrar, desde pequena. Acompanhava as discussões da minha mãe com o meu avô sobre ditadura, subversão, repressão, comunismo, etc, super interessada, querendo entender e decidir de que lado eu estava. E como eu queria "mudar o mundo" - sonho infantil que ainda não abandonei... - achava que a política era um bom modo de tentar fazê-lo. Hoje o que me chama a atenção nesse meio é a quantidade de pessoas que entram com ideais e boas intenções e depois desistem deles... Não se tornam desonestas, mas não se insurgem contra a desonestidade como deveriam!

kaoe diz: Você já foi vítima de uma polêmica ao falar que fumava maconha? Isso
mudou algo na sua carreira? Você pode comentar sobre? Ainda fuma? Concordo com
você em assumir, pois as pessoas tem uma visão muito negativa sobre a canabis
por influência da mídia, você não acha o mesmo ?

Não, parei de fumar já faz alguns anos, mas concordo com você que a visão que as pessoas têm dos usuários é muito distante da realidade... Por isso, naquela discussão sobre a possível mudança da lei, era importante tentar mostrar que maconheiro não é "tudo bandido" ou "tudo doente", como algumas campanhas fazem parecer. O que mudou na minha carreira é que, infelizmente, muita gente só sabe uma coisa a meu respeito: "Sei, é aquela da maconha"... Mas tb tem um lado positivo: muita gente deu valor ao fato de eu ter falado a verdade, mesmo que isso pudesse me prejudicar.

Karlinhos diz: E aquela bruiguinha entre você e o Rogério Ceni?
No que deu? Teve até processo da parte dele, né?

Karlinhos, não foi comigo não, foi com a Milly Lacombe, que faz comentários na Sportv. Na época, ele disse que ia abrir um processo, mas não sei se abriu mesmo.

Nina diz: Olá, tudo bem?Por que a mudança de partido?
Desde que o PT e o governo Lula começaram a ter problemas mais sérios, acusações de desvios graves de conduta, eu fiz parte de um grupo, dentro do PT, que questionava esses desvios e insistia que, se era verdade que "todo mundo faz" coisas assim (Caixa 2, negociação de votos em troca de "favores"), a gente não podia achar normal fazer também. E tb questionava algumas escolhas políticas, que não têm a ver com corrupção mas mostram uma distância muito grande do que a gente sempre defendeu. Política de alianças, por exemplo. Vale tudo para ganhar uma eleição - até aceitar o apoio do Maluf?? Como assim. Enfim, é até difícil enumerar a quantidade de discussões e brigas que a gente teve - até um ponto em que ficou claro, para mim, que PT não queria mais ser o que era antes... Inflexível com algumas coisas das quais vc realmente não deve abrir mão! O PPS me procurou admitindo que, como todos os partidos, também tem problemas e precisa melhorar. E acreditando que eu sou uma "chata" que cairia bem no partido agora, sendo muito exigente com ele mesmo.

Hugo diz: Você sofreu algum preconceito em ser mulher e apresentar um programa
de esportes?

Ah, claro que sim, estranho seria se não sofresse! Teve gente que mandou lavar roupa, voltar para o fogão - naturalmente, no momento em que fiz uma crítica ao seu time :o). Acontece. O preconceito é tão grande que tinha gente até que dizia: "Muito boa sua coluna. É você que escreve?". Agora já diminuiu muito.

kaoe diz: Acho você uma pessoa muito inteligente e que luta pelo que quer.
Acredito que sua personalidade combina com um programa de debates na TV, tipo o
da MTV com o Lobão. Nunca ouve um convite por parte de alguma emissora? Ou está
dedicada somente a política agora?

Agora não teria mesmo como aceitar um convite - na verdade, já me convidaram para muitas coisas nos últimos tempos, mas não para um programa de debate. Mas tenho o maior orgulho de ter ajudado a criar o Barraco MTV, o primeiro programa fixo de debate da emissora, que falava de tudo quanto é assunto. No começo, era a Astrid que apresentava, e eu era da direção. Quando ela saiu, eu virei mediadora. Foi um bom treino para a política :o)

Cínthia-So diz: Adoro todos os seus trabalhos.... Não sente
saudades de apresentar um programa de TV?

Às vezes... Ainda não abandonei a TV completamente; duas vezes por semana (seg e sex) estou na ESPN Brasil às 18:30, apresentando um programa sobre futebol (e outros esportes, ocasionalmente). Mas tenho saudade, por exemplo, do RG: era ao vivo, tinha sempre vários convidados que podiam falar sobre problemas de moradia em São Paulo, 11 de setembro, etc.; tinha uma banda tocando, reportagens, dicas, perfis... Um pouco de tudo, era muito legal. Hoje o RG estaria falando de China X Tibet, Olimpíadas, trânsito, Semana do Hip Hop...

JaninePolítica diz: O que você acha dos políticos do Brasil, tendo uma
visão mais profunda, como você tem?

Hm, obrigada "pela visão mais profunda"! Tem, na política, uns caras muito bacanas, que manjam muito de uma ou mais áreas, mas esses, muitas vezes, não têm muito espaço nos seus próprios partidos.

Susy diz: Ooooi! O que você pretende fazer, se eleita, para mudar o trânsito da
cidade???

MUITAs coisas - é claro que uma coisa só não adianta! Que tem de melhorar o transpote público, todo mundo sabe. Melhorar como? Precisa expandir o transporte sobre trilhos, integrar melhor todos os meios (ônibus, bicicletas, carros, pedestres...), melhorar o sistema de informações (vc chega no ponto e não sabe que ônibus passa lá, a que horas)... Precisa investir em sistema cicloviário, precisa melhorar as condições para pedestres em geral... E precisa permitir que as pessoas morem mais perto do trabalho, senão não tem como resolver!

NatyzinhaSP diz: Soninha.... Você é casada, tem filhos? Parece ser
tão novinha!

Não estou mais casada e tenho 3 filhas: Rachel (24), Sarah (21), Juliz (10)

Carlinha diz: E o que um candidato precisa para ter espaço
suficiente dentro do partido? Você acha que você tem esse espaço?

No PPS, tenho - porque eles estavam muito cansados de serem sempre coligados de alguém e não ter, há muito tempo, candidatura própria. E cansados também do Fla X Flu, da mania de dividir tudo em dois grupos e escolher: você é anti-tucanos ou anti-PT? A gente quer ter a possibilidade de discutir a cidade pra valer, levando em conta o que a Marta fez de bom, o que o Serra e o Kassab fizeram de bom, e também o que eles fizeram que a gente não faria de jeito nenhum! Sem dividir tudo em "o bem" x "o mal", entende? Mas às vezes um partido não está nem um pouco interessado nisso, e se você tentar ser sensato e equilibrado, não terá espaço nenhum lá dentro... Ou vc só vai ter espaço se fizer muito acordo, muitas concessões... Cada partido tem lá seu jeito de resolver as coisas.

Lidiane diz: Você acha que tem eleitorado suficiente para se
candidatar prefeita de São Paulo? Não quer ter vínculo com o Kassab?

Lidiane, acho que a gestão do Kassab tem qualidades, mas acho muito esquisito o PPS ser coligado com o Democratas, entende? Eu sempre critiquei tanto o PSDB por esse casamento... (A gestão dele também é do PSDB; se fosse só do DEM, como seria? O Kassab foi de uma correção e lealdade admiráveis com a chapa que o elegeu). Eu não tenho como saber ainda qual será, no final, o tamanho do eleitorado, mas tenho certeza que muita gente, mesmo que não seja maioria, está cansada dos modelos de sempre e pensa como eu. Quer mais debate e menos troca de acusações; mais propostas verdadeiras e menos frases feitas, sabe como é?

Fefa e Rick diz: Por que exatamente o nome Jornalista Amiga da
Criança?

É um título que a Fundação Abrinq e a ANDI - Agência de Notícias dos Direitos da Infância - concede todo ano a jornalistas que, na avaliação deles, se destacaram na cobertura e defesa de direitos da criança e do adolescente. Pelo meu trabalho no Barraco MTV, um programa de debates que eu fazia, eles me concederam esse título. É um reconhecimento do trabalho e, ao mesmo tempo, uma renovação do compromisso com essa pauta.

Grossini diz: Além da candidatura, quais são seu planos e
projetos futuros?

Bom, SE eu não for prefeita (há esse risco, rs), tenho vários planos B... Um deles é montar um blog que acompanhe diariamente as atividades na Câmara Municipal, porque ninguém sabe direito o que acontece aqui, e a imprensa cobre ocasionalmente. Também gostaria de ter um cargo de ouvidoria ou "ombudsman", trabalhando na administração para apontar seus próprios erros. Ao mesmo tempo, tenho vontade de passar 3 meses no semi-árido fazendo trabalho voluntário, sabe? Vou ver... (E tem o trabalho na TV e no jornal, a menos que não me queiram mais)

Aninha diz: Qual é a maior diferença entre os partidos????
BOA pergunta! Às vezes é difícil responder! Teoricamente, tem uma diferença original de ideologia, de programa. Um (de esquerda) acha que o Estado tem um papel muito importante como promotor do desenvolvimento, justiça, igualdade; outro (de direita) acha que o Estado só atrapalha, que o mercado se organiza sozinho para oferecer o que as pessoas precisam. (Estou fazendo definições meio toscas, pra encurtar). Na prática, mistura tudo! Fazem alianças sem nenhuma coerência com ideologia e programa... Se no governo, defendem que "vale tudo" pra governar; se na oposição, acham que têm de meter o pau em tudo o que o governo faz... Em todos eles, em número maior ou menor, têm pessoas que discordam disso tudo e tentam fazer as coisas direito... Quanto maior o partido, infelizmente é mais difícil ter coerência e consistência, e essas vozes mais sensatas desaparecem na multidão... É duro, viu!

Linda diz: E aí, Soninha... Prefere a política ou o futebol?
rs...

Futebol é muito, mas muito mais divertido! Mas não tem nada mais importante na minha vida hoje do que a política. Pela importância que ela tem no mundo - maior até do que a do futebol, rs

July diz: Sente saudades da MTV? Onde foi o melhor lugar que já trabalhou?
Como eu fiquei MUITO tempo na MTV e saí de lá quando já estava enjoada de tanto brigar lá dentro (nossa, parece até que estou falando do PT, rs), não tenho saudade não... Foi muito, muito legal, mas eu me matei de trabalhar lá, e nem sempre ficava feliz com os rumos da TV... E os amigos que eu tinha naquela época continuam meus amigos, então tudo bem. O melhor lugar que já trabalhei? Vixe, não sei. Todos tinham problemas, mas em todos eu fui feliz. MTV, TV Cultura, Cultura Inglesa (dei aula lá!). Ah, já sei, acho que o que fica mais próximo dos meus ideais é mesmo a ESPN...

Abril diz: Eu sei que todos os políticos (com boas intenções)
tem a vontade de mundar o mundo. Você tem essa expectativa, claro que mudar o
mundo no sentido daquilo que está ao seu alcance, né!?

Putz, tenho mesmo. Se não for pra "mudar o mundo", esse mundo tão cheio de problemas graves que a gente conhece, pra que entrar na política?? Você não pode ter expectativas exageradas, não pode menosprezar os problemas e dificuldades, mas tem de tentar fazer o que estiver ao seu alcance. O que deixa a gente desanimado às vezes é ver quantas pessoas nem tentam mais... Se acomodam, acham que é assim mesmo e sempre vai ser... Bom, se você não fizer nada pra mudar, aí é que não muda mesmo!!

Joana diz: Soninha, tem algum livro que mudou a sua vida e
que você indicaria como leitura obrigatória? Se sim, por quê?

Difícil pensar em um livro só, porque a minha vida foi soterrada por livros, eu leio o tempo todo, e não sei apontar um só... Mas tem, por exemplo, a coleção Para Gostar de Ler, que me apresentou cronistas muito legais que tinham uma visão crítica do mundo e ao mesmo tempo uma sensibilidade para as pessoas comuns, os detalhes da vida cotidiana... Acho que esse respeito ao personagem que cada pessoa é no mundo me inspira até hoje. Pensar em como as grandes coisas interferem na "pequena" vida das pessoas. (Ah, os quatro eram: Fernando Sabino, Carlos Drummond, Rubem Braga e Paulo Mendes Campos). E tem os livros sobre budismo... Mas esses vieram bem depois.

Anna diz: Soninha, você teria outro(a) filho(a) se se casasse de novo?
Embora eu adore ter filhos, não, não teria mais... Eu já tenho quarenta anos, e me faltaria energia pra começar tudo de novo com uma criança pequena (precisa ter muita energia!). Mas uma das minhas frustrações é não ter adotado um filho... Agora não daria, porque eu passo tempo demais na rua. Mas talvez um dia eu ainda realize esse plano.

Guiga diz: VOcê tem um sonho de consumo? Um físico e um
profissional?

Sonho de consumo "físico"? Eu adoraria ter uma casa bem legal, com quintal, árvores, jardim de inverno... E queria viajar muito pelo Brasil e pelo mundo... O profissional, o maior de todos, seria ser prefeita. Mas o fato de ser candidata já é a realização de um sonho.
Helena Silva diz: Como está sendo a suam campanha?
Bom, a campanha mesmo ainda não começou (e eu já estou exausta, afe!). Mas estamos na parte que é a mais legal de todas, pra mim: a discussão do programa de governo. Estudar, colher dados e informações, ouvir especialistas, ver e relembrar a experiência das pessoas comuns, montar nossas propostas... Eu adoro essa parte.

daniel diz: Quem dentro do PT tem as idéias mais diferentes de
você?


Daniel, seria mais legal falar quem tem idéias mais parecidas... O Zé Eduardo Cardoso, o Paul Singer, o Carlos Neder, o Chico Macena (os dois últimos, vereadores do PT), o Nabil Bonduki (ex-vereador)... Para dar uma resposta mais "em bloco", podemos dizer que o grupo mais próximo da Marta, que esteve na base do governo dela e ficou mais próximo ao grupo conhecido como Centrão aqui na Câmara, é o grupo com o qual eu tenho mais divergências. Até porque foi com esse grupo que eu convivi mais durante o mandato.

RAFAEL MALUF diz: Olá Soninha, sempre simpatizei com sua pessoa,
menos quando você foi para um partido como o PT, mas isso passado, gostaria de
saber quais são as chances de você se candidatar a prefeita ou a vice em uma
chapa do PSDB, DEM ou PP? Ou ainda se teria vontade de ser assumir a secretaria
de esportes da cidade de São Paulo?

Rafael, eu não "fui" para o PT, eu sempre fui do PT, desde que ele apareceu... E embora eu tenha me desiludido com o partido, os princípios que me levaram a fazer parte dele continuam os mesmos... De todo modo, não há nenhuma chance de eu ser vice do DEM ou do PSDB - muito menos do PP, que deve sair com o Maluf candidato! Vou ser candidata à prefeitura pelo PPS. Seria interessante ser Secretária de Esportes - mas também de Cultura ou Meio Ambiente, duas áreas que adoro.

daniel diz: Se o PPS continua a apoiar o PT, houve uma
significativa mudança para você na troca partidária?

Daniel, na verdade o PPS já esteve ao lado do Lula e do PT, depois rompeu (porque discordou de alguns rumos) e passou para a oposição. Nas últimas eleições, esteve coligado ao PSDB. Mas agora quer ter uma vida mais independente, apresentando e defendendo suas propostas, e até identificando o que cada lado tem de bom. E por isso mesmo houve uma mudança significativa na troca... Porque o PT virou radical no que não deveria ("destruir o PSDB" é o grande objetivo?) e flexível no que não deveria (dá pra chamar o Maluf de aliado? O Sarney e o Jáder Barbalho?). O PPS é crítico, é auto-crítico e está cansado de tiroteio...

Infelizmente, nosso tempo acabou... Obrigado pela participação! Você pode se despedir dos internautas?
Obrigada a todos pela participação! Se quiserem saber mais sobre o que eu ando fazendo por aí, podem visitar o nosso site w w w soninha com br



BICICLETAS - para Revista A+


Que bom que topou fazer a entrevista, Soninha!

Seguem algumas perguntas:

- Há quanto tempo e com qual frequência utiliza a bicicleta para suas atividades diárias? Para quais atividades usa a bicicleta?
>>Há uns 2 ou 3 anos, quando ainda era vereadora. Uso a bicicleta duas ou três vezes por semana para ir e voltar de casa para o trabalho, ou para ir a alguns compromissos a partir da sede da Subprefeitura. 

- Quais as vantagens que você vê na bicicleta como meio de transporte? >>Para quem usa: é muito barata (não precisa abastecer...), não faz barulho, permite mudar de caminho com facilidade, permite prestar atenção no mundo de um jeito diferente (mais agradável), é mais fácil de estacionar... (Embora ainda faltem muitos lugares seguros para deixar a bicicleta! A minha tem a vantagem de ser dobrável). Para todos os demais - não polui, não faz barulho, ocupa muito menos espaço. 

- O trecho que você costuma percorrer de bicicleta possui ciclovia? >>Tem não. 

- Acha que São Paulo está preparada para comportar as bicicletas nas ruas? O que pode melhorar?
>>O que pode e precisa melhorar, mais do que tudo, é o respeito dos motoristas de automóveis, ônibus, motos, etc. Com ou sem ciclovias, se os motorizados não souberem ou perceberem que precisam respeitar os ciclistas, o resto não vai adiantar. Mas precisamos, é claro, de algumas ciclovias, muitas ciclofaixas, rotas sinalizadas, mapas, paraciclos e bicicletários!

- No início do ano, foram inaugurados 48 km de ciclovias, às margens da Marginal Pinheiros. Na sua rotina, isso interferiu de alguma forma?
>>Não... Aquele trajeto eu costumo fazer mesmo de trem, mas não são viagens muito frequentes.

- Um dos objetivos dessa ciclovia era motivar as pessoas a irem para o trabalho de bicicleta. Você percebeu algum aumento nesse número?
>>Ainda não, e nem isso era esperado na primeira etapa, quando só há dois acessos. Por enquanto, a ciclovia em si serve muito mais para lazer do que para trabalho; ela será mais útil no dia-a-dia quando tiver mais acessos - e, mais ainda, quando permitir a travessia para o outro lado do rio. Mas quem usa a bicicleta nos dias de lazer pode acabar se sentindo motivado para usá-la no dia-a-dia, e isso não é tão fácil de perceber logo de cara.

- O que ainda pode ser feito para estimular o uso da bicicleta na cidade? Há algum projeto da prefeitura em andamento a esse respeito?
>>Existem alguns projetos, mas não UM grande projeto. A SubLapa, por exemplo, pretende contratar um grande estudo para definir tudo o que precisa ser feito na região de modo a constituir um Sistema Cicloviário, para, a partir disso, definir as obras prioritárias (porque são mais importantes ou  mesmo porque são mais fáceis de fazer, permitindo um resultado imediato). Só estamos aguardando a liberação de recursos do orçamento. A Sub Cidade Ademar já contratou esse estudo. Butantã, Santo Amaro e Pinheiros já o fizeram, com graus diversos de detalhamento. A Secretaria do Verde tem há muito tempo seus vários projetos, a Secretaria de Esporte investiu na Ciclofaixa de Lazer, a CET tem sua diretoria encarregada de bicicletas... E existem as ações do governo do estado, como essa ciclovia da Marginal Pinheiros e a parceria com o Instituto Parada Vital/ Use Bike para empréstimo de bicicletas e instalação de bicicletários junto a estações de trem e de metrô.

- Entre outros aspectos, você defende o uso da bicicleta como forma de diminuir a poluição ambiental na cidade. Qual a relevância do estímulo ao uso das bicicletas nesse processo?
>>Uma vez que temos um número considerável de pessoas usando o automóvel sozinhas, a emissão de poluentes e gases de efeito estufa per capita é muito grande... Sem falar que, com o excesso de veículos, as ruas ficam congestionadas e isso aumenta mais ainda a poluição. Como vários outros lugares do mundo já demonstraram, é possível, com algumas medidas de incentivo, substituir uma parte dessas viagens de automóvel por deslocamentos em bicicleta (ainda que sejam combinados com outros meios de transporte, de preferência coletivos). Até os relatores do IPCC (Painel que reuniu dados sobre mudanças climáticas no mundo todo) recomendaram a ampliação do uso da bicicleta como meio de locomoção.

- Que dicas voce dá para quem quer começar agora a usar a bicicleta como meio de transporte na cidade de São Paulo?
>>Uma dica básica é escolher bem o caminho. Quando a gente sai de bicicleta, precisa pensar de maneira completamente diferente da que pensa quando sai de carro. Não são as mesmas rotas, são outras. Vale muito a pena encompridar um pouco o caminho para evitar uma rua muito movimentada ou íngreme, por exemplo. Em vez de pedalar debaixo do Minhocão, pegar as ruas paralelas... Em vez de seguir pela 23 de maio, descer a Vergueiro e a Liberdade... Planejar sua rota (podendo mudar na hora, se for o caso) faz toda a diferença. Ah, sim, e não esqueça de levar uma boa corrente e cadeado, porque você vai precisar deles quando chegar ao seu destino - seja para amarrar a um poste, seja para deixar em um bicicletário. 

- Já pedalou em algum outro país? Caso positivo, quais as principais diferenças em relação à infra-estrutura para os ciclistas pôde perceber entre eles e o Brasil?
>>Em algumas cidades, como Berlim (onde eu pedalei bastante), a bicicleta tem o mesmo status dos outros veículos, isto é, as ruas são feitas tanto para os motorizados quanto para elas. Não são "uma alternativa", são parte do sistema. Tudo é muito bem demarcado e sinalizado - aliás, dando prioridade às bicicletas em muitas situações, e os motoristas acham isso completamente normal (é assim com os pedestres também...). O conflito às vezes acontece entre ciclistas e pedestres, porque muitas ciclofaixas são sobre o passeio (que é sempre bem espaçoso) - o pedestre tem de ficar muito atento para não invadir o espaço delas sem perceber (e se o pedestre é brasileiro, acontece direto...). 

- Como o Brasil pode se espelhar em exemplos de outros países para aprimorar o uso da bicicleta como meio de transporte?
>>Investindo BASTANTE na tal da infraestrutura, de maneira sistematizada, de modo a produzir uma grande mudança de uma vez só. Como é um investimento relativamente barato em comparação com outras obras viárias e de transporte, não seria tão difícil produzir essa transformação a curto prazo. Mas ao menos já amadurecemos o suficiente para começar a fazer muitas pequenas intervenções, enquanto as grandes - como a que aconteceu em Bogotá - não vem. Existe essa perspectiva agora com a Copa do Mundo - Porto Alegre, por exemplo, contratou seu projeto de Sistema Cicloviário. E cidades menores, como Sorocaba, também já fizeram grandes intervenções. 

Entrevista sobre candidatura em 2008 - DCE UNINOVE

1. Porque deseja ser prefeita de São Paulo?
R: Porque não conformo com seus problemas e não consigo deixar de me envolver com suas soluções. Sempre me perguntei o que posso fazer para mudar o mundo; sendo prefeita, certamente posso fazer muito. E tenho certeza que tenho conhecimento e capacidade para isso; para comandar uma equipe com pessoas mais experientes do que eu, que tenham mais conhecimento técnico sobre suas áreas de atuação (mas meu conhecimento não é pequeno – aposto que eu, pessoalmente, sei mais sobre a cidade e a administração do que meus adversários, simplesmente porque me interesso mais do que eles). De todo modo, tenho a maior disposição para continuar aprendendo, debatendo, recebendo contribuições  de especialistas, servidores, usuários.
Também não me conformo com os vícios da política, que fazem com que talentos sejam desperdiçados, tantas ações importantes sejam adiadas, tantas obras inúteis sejam realizadas – por culpa de rivalidades partidárias, "dívidas" eleitorais, demagogia, em nome da "governabilidade", etc. Sei que é possível fazer política sem essa contaminação; que tem gente tão cheia disso quanto eu.
Enfim, quero mudar a cidade, quero mudar a política, e não estou sozinha no mundo – com a participação de muita gente, é possível.


2. São Paulo como uma das maiores metrópoles do mundo sofre com o problema do trânsito, a senhora propõe mudar hábitos das pessoas investindo em ciclovias, mas isso não é o suficiente. A senhora não acha que as pessoas podem encarar essa sua proposta como falta de seriedade a um dos grandes problemas que São Paulo tem hoje?
R: Se fosse essa a minha única proposta, elas estariam certíssimas em achar que é falta de seriedade. Mas eu não canso de dizer que o trânsito não tem uma solução só, seja ela qual for – mais metrô, mais corredores... São necessárias várias medidas combinadas, em três eixos principais: melhoria do transporte coletivo; melhoria da engenharia de tráfego; redução da desigualdade regional, aproximando casa, trabalho, educação, saúde e lazer e reduzindo, assim, o número de deslocamentos forçados pela cidade. Sem reduzir a demanda por viagens, não adiantará melhorar a oferta do transporte – ele nunca dará conta satisfatoriamente. Voltando as bicicletas: segundo pesquisa de 2002, 300.000 pessoas já usavam bicicleta para se deslocar diariamente pela região metropolitana. Certamente, esse número aumentou muito. Temos o dever de oferecer condições melhores para esses ciclistas (aliás, mesmo que eu não quisesse – tem Lei municipal determinando a criação de um sistema cicloviário na cidade). E certamente outras pessoas passarão a se deslocar em bicicletas se isso for mais seguro.
 

3. A senhora fala sobre qualidade de vida e, recentemente admitiu ter sido usuária de drogas. A senhora defende a liberalização do uso da maconha e outras drogas? A senhora considera as drogas prejudiciais a saúde?
R: Não conheço quase ninguém que não seja usuário de drogas... E mesmo quando eu fumava maconha (o que já não faço há muitos anos), usava muito menos do que todos os meus colegas, parentes, amigos, conhecidos – que freqüentemente bebiam álcool em excesso em festas, bares, em dias normais e ocasiões especiais. Não gosto de cerveja; nunca tomei um porre. Maconha não é muito diferente de um "pileque", embora as pessoas imaginem algo muito pior.
Considerar as drogas prejudiciais à saúde não é uma questão de opinião – é um fato baseado em evidências médicas e do impacto social causado por elas. Cada uma tem um efeito e  potencial lesivo diferente. Crack, por exemplo, causa muita dependência, muitos danos físicos, mentais,comportamentais e sociais. Cigarro causa uma dependência fortíssima muito rapidamente. Cafeína também tem seus efeitos negativos, e assim por diante. A maconha também tem seu potencial de danos – em casos raros, causa dependência; como qualquer fumaça para dentro do pulmão, pode causar câncer. Mas eu tenho convicção absoluta de que os possíveis danos decorrentes do uso da maconha são muito menores do que todo o impacto negativo decorrente do fato de o comércio ser ilegal. Na tentativa de impedir as pessoas de fumar maconha, a polícia troca tiros com os vendedores – que, operando na criminalidade, também trocam tiros entre si. E sofrem todos com o tiroteio.
Não defendo a "liberalização do uso de drogas"; defendo a descriminalização e a normatização do comércio de maconha. Acho absurdo a sociedade tolerar e até exaltar o consumo de cerveja, cachaça, conhaque, vodka, caipirinha, batidas, vinhos etc. e defender o uso de armas para tentar impedir o uso de maconha (o que, aliás, sequer funciona).



4. Dizem que sua pretensão como candidata a prefeita é se cacifar para Deputada Federal em 2010. A senhora confirma essa afirmativa?
R: Não. Posso até mudar de idéia um dia, mas não tenho a menor vontade de exercer novamente um mandato parlamentar. Minha vontade agora é trabalhar na área do Executivo – de preferência, como chefe do Executivo municipal. Se não for dessa vez, devo tentar novamente na próxima.
Para me cacifar para deputada federal, se fosse essa mesma a minha intenção, haveria maneiras menos cansativas, menos trabalhosas... Eu sou candidata a prefeita porque quero ser prefeita e tenho certeza absoluta que tenho condições para isso. (Ninguém precisa simplesmente acreditar em mim – pode facilmente descobrir como eu penso, o que proponho, o que pretendo).

5. Na área da educação a Prefeitura tem atuado na educação de base, mas dado o tamanho de São Paulo a senhora não acha que São Paulo deveria investir numa Universidade Pública Municipal? O que a senhora acha do ProUni do governo Federal que é tão criticado por destinar recursos públicos da educação às Universidades Privadas que agora enchem seus cofres com o dinheiro do povo nesse programa do Governo Federal, não poderíamos ter uma Universidade Pública com esses mesmos recursos?
R: Por partes: enquanto não cumprir seu dever constitucional de atender toda a demanda por educação infantil e ensino fundamental, não, não acho que São Paulo deveria investir em uma Universidade Pública Municipal – que, de toda maneira, teria um custo bastante elevado e atenderia a uma parte muito pequena da demanda. O maior compromisso da prefeitura é melhorar muito a qualidade da educação básica. A prefeitura pode criar programas de extensão universitária, vagas de estágio, aproveitar o conhecimento produzido em suas políticas públicas.
Sobre o Prouni e as universidades privadas, há muito o que dizer. Nem todas estão simplesmente "enchendo seus cofres"; algumas têm muita qualidade, outras não. O governo federal tem o dever de garantir a qualidade dos cursos (quer forneça bolsas aos alunos ou não). E eu não discordo da oferta de bolsas – até porque não, esses recursos não seriam suficientes para criar universidades federais na quantidade e com a rapidez necessária para atender a todos esses alunos que hoje são contemplados. Criar uma universidade não é como abrir um mercado – providenciar prédios, equipamentos e recursos humanos de qualidade exige altíssimos investimentos ao longo de muito tempo.