Você acredita no Brasil?
Mas quem é o Brasil?
É o João da Silva Brasil, que sai da cama às quatro da manhã, prepara o café para ele mesmo e para a esposa, caminha até o ponto de ônibus, viaja três horas em pé, trabalha duro o dia todo e dá umas risadas com os amigos, agüenta firme a gozação quando seu time perde, discute ética sem nem saber que está discutindo, que quer um país melhor para ele, para todos os amigos e conhecidos, para os camaradas ainda mais miseráveis que ele?
Ou o Mané Brasil Pereira, que é funcionário fantasma do gabinete de um político em troca de duzentos contos, joga entulho no córrego do bairro porque "feio mesmo é a corrupção desses safados", ouve música bem alto a qualquer hora do dia ou da noite e maltrata o gato do vizinho?
Será o Alexandre Brasil da Rocha Macedo, universitário de boa família que acelera o carro pra cima do pedestre, joga lata de cerveja pela janela, acha que mulher é tudo vagabunda e que é cada um por si, ninguém por todos e que vença o melhor?
Também pode ser o Lucas Brasil, universitário de boa família que troca o descanso no fim-de-semana por um mutirão na periferia, que cria um blog divulgando os lugares onde é possível estacionar sua bicicleta, leva o material reciclável na cooperativa da esquina e adotou um vira-lata.
Enfim, eu acredito no Brasil. No Brasil que fica incomodado com o sofrimento alheio, que se pergunta o que pode fazer a respeito disso, que sacrifica o próprio conforto para oferecer algo para os outros, que toma uma ou várias atitudes pensando no bem coletivo. E, apesar da má-vontade, egoísmo, ganância ou vaidade de uns e outros, tem muito Brasil assim, generoso e consciente, soprando um ânimo na cara da gente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário