sábado, 7 de julho de 2012

Entrevista sobre candidatura em 2008 - DCE UNINOVE

1. Porque deseja ser prefeita de São Paulo?
R: Porque não conformo com seus problemas e não consigo deixar de me envolver com suas soluções. Sempre me perguntei o que posso fazer para mudar o mundo; sendo prefeita, certamente posso fazer muito. E tenho certeza que tenho conhecimento e capacidade para isso; para comandar uma equipe com pessoas mais experientes do que eu, que tenham mais conhecimento técnico sobre suas áreas de atuação (mas meu conhecimento não é pequeno – aposto que eu, pessoalmente, sei mais sobre a cidade e a administração do que meus adversários, simplesmente porque me interesso mais do que eles). De todo modo, tenho a maior disposição para continuar aprendendo, debatendo, recebendo contribuições  de especialistas, servidores, usuários.
Também não me conformo com os vícios da política, que fazem com que talentos sejam desperdiçados, tantas ações importantes sejam adiadas, tantas obras inúteis sejam realizadas – por culpa de rivalidades partidárias, "dívidas" eleitorais, demagogia, em nome da "governabilidade", etc. Sei que é possível fazer política sem essa contaminação; que tem gente tão cheia disso quanto eu.
Enfim, quero mudar a cidade, quero mudar a política, e não estou sozinha no mundo – com a participação de muita gente, é possível.


2. São Paulo como uma das maiores metrópoles do mundo sofre com o problema do trânsito, a senhora propõe mudar hábitos das pessoas investindo em ciclovias, mas isso não é o suficiente. A senhora não acha que as pessoas podem encarar essa sua proposta como falta de seriedade a um dos grandes problemas que São Paulo tem hoje?
R: Se fosse essa a minha única proposta, elas estariam certíssimas em achar que é falta de seriedade. Mas eu não canso de dizer que o trânsito não tem uma solução só, seja ela qual for – mais metrô, mais corredores... São necessárias várias medidas combinadas, em três eixos principais: melhoria do transporte coletivo; melhoria da engenharia de tráfego; redução da desigualdade regional, aproximando casa, trabalho, educação, saúde e lazer e reduzindo, assim, o número de deslocamentos forçados pela cidade. Sem reduzir a demanda por viagens, não adiantará melhorar a oferta do transporte – ele nunca dará conta satisfatoriamente. Voltando as bicicletas: segundo pesquisa de 2002, 300.000 pessoas já usavam bicicleta para se deslocar diariamente pela região metropolitana. Certamente, esse número aumentou muito. Temos o dever de oferecer condições melhores para esses ciclistas (aliás, mesmo que eu não quisesse – tem Lei municipal determinando a criação de um sistema cicloviário na cidade). E certamente outras pessoas passarão a se deslocar em bicicletas se isso for mais seguro.
 

3. A senhora fala sobre qualidade de vida e, recentemente admitiu ter sido usuária de drogas. A senhora defende a liberalização do uso da maconha e outras drogas? A senhora considera as drogas prejudiciais a saúde?
R: Não conheço quase ninguém que não seja usuário de drogas... E mesmo quando eu fumava maconha (o que já não faço há muitos anos), usava muito menos do que todos os meus colegas, parentes, amigos, conhecidos – que freqüentemente bebiam álcool em excesso em festas, bares, em dias normais e ocasiões especiais. Não gosto de cerveja; nunca tomei um porre. Maconha não é muito diferente de um "pileque", embora as pessoas imaginem algo muito pior.
Considerar as drogas prejudiciais à saúde não é uma questão de opinião – é um fato baseado em evidências médicas e do impacto social causado por elas. Cada uma tem um efeito e  potencial lesivo diferente. Crack, por exemplo, causa muita dependência, muitos danos físicos, mentais,comportamentais e sociais. Cigarro causa uma dependência fortíssima muito rapidamente. Cafeína também tem seus efeitos negativos, e assim por diante. A maconha também tem seu potencial de danos – em casos raros, causa dependência; como qualquer fumaça para dentro do pulmão, pode causar câncer. Mas eu tenho convicção absoluta de que os possíveis danos decorrentes do uso da maconha são muito menores do que todo o impacto negativo decorrente do fato de o comércio ser ilegal. Na tentativa de impedir as pessoas de fumar maconha, a polícia troca tiros com os vendedores – que, operando na criminalidade, também trocam tiros entre si. E sofrem todos com o tiroteio.
Não defendo a "liberalização do uso de drogas"; defendo a descriminalização e a normatização do comércio de maconha. Acho absurdo a sociedade tolerar e até exaltar o consumo de cerveja, cachaça, conhaque, vodka, caipirinha, batidas, vinhos etc. e defender o uso de armas para tentar impedir o uso de maconha (o que, aliás, sequer funciona).



4. Dizem que sua pretensão como candidata a prefeita é se cacifar para Deputada Federal em 2010. A senhora confirma essa afirmativa?
R: Não. Posso até mudar de idéia um dia, mas não tenho a menor vontade de exercer novamente um mandato parlamentar. Minha vontade agora é trabalhar na área do Executivo – de preferência, como chefe do Executivo municipal. Se não for dessa vez, devo tentar novamente na próxima.
Para me cacifar para deputada federal, se fosse essa mesma a minha intenção, haveria maneiras menos cansativas, menos trabalhosas... Eu sou candidata a prefeita porque quero ser prefeita e tenho certeza absoluta que tenho condições para isso. (Ninguém precisa simplesmente acreditar em mim – pode facilmente descobrir como eu penso, o que proponho, o que pretendo).

5. Na área da educação a Prefeitura tem atuado na educação de base, mas dado o tamanho de São Paulo a senhora não acha que São Paulo deveria investir numa Universidade Pública Municipal? O que a senhora acha do ProUni do governo Federal que é tão criticado por destinar recursos públicos da educação às Universidades Privadas que agora enchem seus cofres com o dinheiro do povo nesse programa do Governo Federal, não poderíamos ter uma Universidade Pública com esses mesmos recursos?
R: Por partes: enquanto não cumprir seu dever constitucional de atender toda a demanda por educação infantil e ensino fundamental, não, não acho que São Paulo deveria investir em uma Universidade Pública Municipal – que, de toda maneira, teria um custo bastante elevado e atenderia a uma parte muito pequena da demanda. O maior compromisso da prefeitura é melhorar muito a qualidade da educação básica. A prefeitura pode criar programas de extensão universitária, vagas de estágio, aproveitar o conhecimento produzido em suas políticas públicas.
Sobre o Prouni e as universidades privadas, há muito o que dizer. Nem todas estão simplesmente "enchendo seus cofres"; algumas têm muita qualidade, outras não. O governo federal tem o dever de garantir a qualidade dos cursos (quer forneça bolsas aos alunos ou não). E eu não discordo da oferta de bolsas – até porque não, esses recursos não seriam suficientes para criar universidades federais na quantidade e com a rapidez necessária para atender a todos esses alunos que hoje são contemplados. Criar uma universidade não é como abrir um mercado – providenciar prédios, equipamentos e recursos humanos de qualidade exige altíssimos investimentos ao longo de muito tempo.

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